Comentário Teológico - Mateus 20:16-28
Sobre o Padrão da Grandeza
E, subindo Jesus a Jerusalém, chamou à parte os seus doze discípulos e, no caminho, disse-lhes: Eis que vamos para Jerusalém,e o Filho do Homem será entregue aos príncipes dos sacerdotes e aos escribas, e condená-lo-ão à morte.
E o entregarão aos gentios para que dele escarneçam, e o açoitem, e crucifiquem, e ao terceiro dia ressuscitará.
Então, se aproximou dele a mãe dos filhos de Zebedeu, com seus filhos, adorando-o e fazendo-lhe um pedido.
E ele diz-lhe: Que queres? Ela respondeu: Dize que estes meus dois filhos se assentem um à tua direita e outro à tua esquerda, no teu Reino.
Jesus, porém, respondendo, disse: Não sabeis o que pedis;podeis vós beber o cálice que eu hei de beber e ser batizados com o batismo com que eu sou batizado? Dizem-lhe eles: Podemos.
E diz-lhes ele: Na verdade bebereis o meu cálice, mas o assentar-se à minha direita ou à minha esquerda não me pertence dá-lo, mas é para aqueles para quem meu Pai o tem preparado.
E, quando os dez ouviram isso, indignaram-se contra os dois irmãos.
Então, Jesus, chamando-os para junto de si, disse: Bem sabeis que pelos príncipes dos gentios são estes dominados e que os grandes exercem autoridade sobre eles.
Não será assim entre vós;mas todo aquele que quiser, entre vós, fazer-se grande, que seja vosso serviçal; e qualquer que, entre vós, quiser ser o primeiro, que seja vosso servo, bem como o Filho do Homem não veio para ser servido,mas para servir e para dar a sua vida em resgate de muitos.
Contexto Geral
Este trecho faz parte do evangelho de Mateus e apresenta dois temas principais: **a inversão dos valores no reino de Deus** e **a natureza do verdadeiro serviço e liderança cristã**. Ele segue a parábola dos trabalhadores na vinha (Mateus 20:1-15), que ensina que Deus concede graça com base em sua bondade, e não segundo os méritos humanos. Em seguida, Jesus explica sua missão como um ato de serviço sacrificial.
Versículo 16: "Assim, os últimos serão primeiros, e os primeiros serão últimos."
Jesus conclui a parábola dos trabalhadores na vinha com esta afirmação paradoxal, que sintetiza o caráter contraintuitivo do reino de Deus. Aqui, Ele enfatiza que a hierarquia humana de status e mérito é irrelevante diante da graça divina. No reino de Deus, os critérios para recompensa são definidos por sua soberania e graça, e não por méritos ou privilégios terrenos.
Versículos 17-19: O terceiro anúncio da paixão
Jesus prediz pela terceira vez sua morte e ressurreição. Ele descreve detalhadamente o sofrimento que enfrentará, incluindo sua entrega aos líderes religiosos e aos gentios, sua condenação à morte, zombaria e crucificação, seguidos por sua ressurreição no terceiro dia. Este anúncio contrasta com as expectativas messiânicas dos discípulos, que esperavam um líder político triunfante. Aqui, Jesus redefine o papel do Messias como o Servo Sofredor (Isaías 53), cujo sofrimento traz redenção à humanidade.
Versículos 20-23: O pedido de Salomé e dos filhos de Zebedeu
A mãe de Tiago e João pede a Jesus que seus filhos ocupem posições de honra em seu reino. Este pedido reflete a incompreensão dos discípulos sobre o significado do reino de Deus, que não se baseia em poder ou prestígio terrenos. Jesus responde com uma pergunta profunda: **"Podeis beber o cálice que eu estou prestes a beber?"**. O "cálice" simboliza sofrimento, sacrifício e a missão redentora de Cristo. Embora Tiago e João afirmem estar prontos, Jesus indica que eles, de fato, participarão do sofrimento, mas que as posições de honra são determinadas pelo Pai.
Versículos 24-27: O ensino sobre liderança servidora
A indignação dos outros discípulos revela sua competitividade e visão distorcida da liderança no reino de Deus. Jesus os reúne para ensinar que, no reino de Deus, a grandeza é definida pela humildade e pelo serviço. Ele contrasta o modelo de liderança mundano, onde os governantes exercem autoridade e domínio, com o modelo cristão, onde o maior é aquele que se faz servo de todos.
Este ensino subverte as estruturas de poder humano. No reino de Deus, a liderança não é um privilégio para controlar, mas uma responsabilidade de servir, especialmente aos mais necessitados. Este princípio seria posteriormente exemplificado por Jesus ao lavar os pés de seus discípulos (João 13:12-17).
Versículo 28: O exemplo de Cristo como Servo
Jesus encerra o trecho apontando para sua própria missão: **"assim como o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos."** Aqui, Jesus apresenta o fundamento teológico do serviço cristão. Ele se identifica como o "Filho do Homem" (uma referência messiânica de Daniel 7:13-14) e, ao mesmo tempo, como o Servo Sofredor (Isaías 53).
A palavra "resgate" (do grego *lytron*) é significativa, pois alude ao preço pago para libertar um escravo ou prisioneiro. Jesus declara que sua morte será o pagamento pela libertação da humanidade do pecado e da separação de Deus. Este ato supremo de serviço define a essência do reino de Deus e serve como modelo para todos os seus seguidores.
Aplicações Teológicas e Práticas
1. Graça e Soberania de Deus (v. 16) - A salvação não é conquistada por mérito humano, mas concedida pela graça divina. Este entendimento desafia os cristãos a abandonar o orgulho e confiar plenamente em Deus.
2. Aceitação do Sofrimento (v. 22-23) - O discipulado envolve participar no sofrimento de Cristo. A prontidão para beber o "cálice" simboliza a disposição para enfrentar desafios e renúncias pelo bem do reino.
3. Liderança pelo Serviço (v. 25-27) - O verdadeiro líder no reino de Deus não busca status, mas serve com humildade e amor. Este modelo se opõe à busca de poder e domínio que caracteriza os sistemas mundanos.
4. Cristo como Modelo (v. 28) - A vida e morte de Jesus são o padrão para o discipulado cristão. Os crentes são chamados a imitar sua atitude de serviço sacrificial em todas as esferas da vida.
Em resumo, Mateus 20:16-28 desafia os valores do mundo e exorta os seguidores de Cristo a adotar um estilo de vida marcado pela humildade, serviço e sacrifício, refletindo o caráter e a missão de Jesus.
A lição principal deste trecho pode ser expressa na seguinte tradução: Desce, se queres subir; sofre, se queres gozar; morre, se queres viver; perde, se queres ganhar...
Vejamos o estudo assim:
1) A preocupação de Jesus - Ele andava rodeado da multidão, mas chamou à parte os doze para dizer-lhes as coisas tremendas que O esperavam. A sombra da cruz estava sobre Seu espírito. Ele predisse :
a) Uma dupla traição: seria traído por um discípulo aos sacerdotes e escribas, e seria traído por estes aos gentios;
b) seria escarnecido, açoitado, crucificado;
c) ressuscitaria.
2) A preocupação da Mãe de Tiago e João - A preocupação com um lugar de destaque no Reino:
a) Era inoportuna: não estavam em comunhão com o espírito de Cristo Este pensava na cruz, aqueles na glória do Reino;
b) Era insensata: pensavam que os lugares no Reino seriam dados pelo mero capricho do soberano aos seus favoritos. Devemos entender que, no Reino de Deus, cada um ocupa o lugar que lhe compete. Numa fábrica, um não deve ser guarda-livros se a sua competência é para outro serviço;
c) Era ignorante: disseram «Podemos», mostrando ou ignorância ou leviandade em responder sem refletir.
3) Jesus ensina os dois:
a) Que grandes provações precedem grandes honras;
b) que eles iam ser provados, mas nem por isso deviam pensar em ganhar os primeiros lugares;
c) que o Pai Se interessa em nós e determina o lugar que nos compete no Seu serviço e Reino.
4) Jesus ensina «a qualquer um entre vós»:
a) Que entre o povo de Deus quem mais serve é o maior;
b) que Ele mesmo é nosso exemplo. Frisar bem o verso 28, considerando nele uma verdade negativa e duas positivas.
Aplicação. Costuma preocupar-se com o que ocupa os pensamentos de Jesus? Quais são as suas ambições? Quer servir o povo de Deus e dar toda a sua vida a isso?
Pr. Jakson de Souza Bragança
https://www.youtube.com/@pastorjsbraganca
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