Falando sobre as Parábolas de Jesus

PARA GUARDAR NO SEU CORAÇÃO 

"E ele disse-lhes: A vós vos é dado saber os mistérios do reino de Deus, mas aos que estão de fora todas estas coisas se dizem por parábolas, para que, vendo, vejam, e não percebam; e, ouvindo, ouçam, e não entendam; para que não se convertam, e lhes sejam perdoados os pecados.                    Marcos 4:11,12

O que será uma parábola? 

"Mãe, conta uma história", - diz um filho de 3 anos, pouco antes de ir para a cama. Quem não gosta de uma bela história? Nós crescemos aprendendo, através de histórias, conceitos como mentira (Pinóquio), nobreza (os sete anões), maldade (o lobo mau), companheirismo (Joãozinho e María), ganancia (a galinha dos ovos de ouro). Se queriam nos ensinar alguma coisa, nos contavam uma história. Que criança trocaria uma boa história de 10 minutos por um discurso de cinco minutos? Ensinar através de histórias sempre foi um excelente recurso pedagógico. Se alguém tiver alguma dúvida sobre isso basta olhar para a Bíblia, palavra que Deus deixou para seus filhos. Cerca de 60% da Escritura Sagrada está em forma de narrativas. 

Jesus, durante seu ministério, contou muitas histórias, ou parábolas. Todas, é claro, com uma profunda lição para seus ouvintes. Podemos dizer até que este era o seu método preferido de ensinar. Ele usava tanto esta ferramenta pedagógica que os seus discípulos foram obrigados a perguntar: "Por que falas por parábolas?" A resposta de Jesus, expressa em Marcos 4.10-12 e passagens paralelas, é que o coração dos seus ouvintes era duro demais para prestar atenção numa mensagem clara. Uma lição comunicada de forma direta seria rejeitada também de forma direta. Assim, envolvendo-a numa parábola, Jesus "fisga" a atenção das pessoas primeiro, e antes que elas possam perceber, estão sendo obrigadas a concordar com ele. 

Justamente por causa das suas peculiaridades, o estudo das parábolas de Jesus envolve alguns cuidados especiais. Existem algumas dificuldades que nós precisamos vencer para compreende-las da mesma que seus leitores originais compreenderam.

Essas dificuldades mais se parecem com abismos, que, mesmo provocando medo, podem ser transpostos com algum esforço:

O abismo da terceira pessoa. Os textos não foram escritos diretamente para nós, Jesus contou suas histórias para seus discípulos, para os escribas, para os fariseus e até para a multidão que o cercava, mas não para um brasileiro do século 21.

Mais tarde, os evangelistas registraram as parábolas visando os nossos irmãos das primeiras comunidades cristãs. Eles foram os destinatários imediatos dos evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e João. Isso faz com que tenhamos a impressão de estar lendo a correspondência de outrem ao nos debruçarmos sobre uma determinada passagem. 

É como ouvir a conversa do outro. Sempre vai haver algo que nos escapará por não estarmos envolvidos diretamente no diálogo. 

-O abismo cronológico. Estamos dois mil anos distantes dos dias em que caminhava Jesus pelas estradas empoeiradas da Palestina. Se temos dificuldades em entender a história da geração dos nossos pais, quanto mais coisas que aconteceram há tanto tempo. 

-O abismo geográfico. Os eventos aconteceram a milhares de quilômetros de onde nós moramos. Quando Jesus fala de um homem que ia de Jerusalém para Jericó, nossa imaginação bem brasileira pode visualizar um personagem caminhando por uma rodovia larga e espaçosa, como as que encontramos entre nossas cidades, em vez de imaginá-lo trilhando com dificuldade uma estrada estreita, empoeirada, inclinada e cheia de curvas. Precisamos conhecer aquelas paisagens vídeos, mesmo que por livros ou fotografias, para não cometer esse erro. 

- O abismo cultural. Existem diferenças culturais enormes entre um brasileiro e um oriental. (Você já reparou nas roupas de um palestino?) Assim, pode ficar difícil imaginar a surpresa da plateia de Jesus quando um samaritano é apontado como o próximo do judeu machucado. Conscientes, então, dessas questões (na maior parte minimizadas por um es- tudo diligente), entendamos agora o que é realmente uma parábola. Geralmente elas eram respostas de Jesus a perguntas dos seus ouvintes. O que nos leva à necessidade de descobrir que perguntas eram essas.

"O propósito geral de cada parábola era evocar uma reação do ouvinte, mudar seus padrões de comportamento e suas atitudes." 

As parábolas ensinavam como agir. Por isso, nossa tarefa é "escutar" as parábolas, tentando entender como os ouvintes de Jesus as teriam entendido, e determinar como eles teriam reagido à história. 

Uma de nossas primeiras tarefas é identificar o auditório original de cada parábola. Para quem Jesus narrou a história? Foi para os escribas, os discípulos, a multidão ou os fariseus? Seu público pode ser um adversário ou um aluno. Isso gera uma grande diferença na interpretação da parábola. A lição mudará radicalmente se eu interpretar uma parábola dirigida aos fariseus como se ela o fosse para os discípulos. 

Você se lembra de como Jesus iniciava suas mensagens, logo no início do seu ministério? - "Arrependei-vos porque é chegado o reino de Deus." Ensinar sobre o reino de Deus foi uma das tarefas vitais da vida de Jesus. Suas parábolas não fugiram a essa regra. Quase todas elas estão relacionadas diretamente com algum aspecto do reino de Deus. Elas falam sobre a realidade já presente do reino entre as pessoas, a misericórdia do Deus do Reino, a certeza da vitória do reino, o crescimento do Reino, a condenação final daqueles que ficarem de fora do reino, o estilo de vida que Deus de- seja dos súditos do reino. 

Por fim, quero oferecer algumas sugestões gerais sobre o modo de estudar cada parábola: 

 - Comece com o estado de espírito correto: reverência, oração, humildade, disposição para obedecer, dependência do Espírito Santo. 
 Continue com o modo de pensar correto. Você quer descobrir o que o texto diz, e não introduzir nele suas próprias ideias.
 Coloque como alvo pessoal, durante este trimestre, a leitura integral dos evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e João. Lembre-se que estes livros não foram escritos para serem lidos aos pedaços. Seus autores queriam que os leitores começassem na primeira palavra do evangelho e terminassem na última de uma só vez. O que você acharia de alguém que, ao receber uma carta sua, agisse da seguinte forma: lesse um parágrafo hoje, amanhã outro, depois outro, até terminar a carta? - "É uma falta de respeito!" Certo, é isso mesmo. Idealmente, antes de cada estudo você de- veria ler o evangelho inteiro onde a parábola está inserida. Como reconhecemos que a maioria teria dificuldade de agir assim, sugerimos que faça a leitura pelo menos uma vez no trimestre, preferivelmente no início. 
Leia a parábola várias vezes. Uma, duas, três e muitas mais. 
Permita que as parábolas mudem sua vida, como mudaram a vida dos seus ouvintes originais. 

Pr. Jakson Souza Bragança

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