Comentário Teológico de Atos 13

A Igreja Apostólica em Concílio (Atos 13)

Atos 13 marca um momento crucial na história da igreja primitiva: o início intencional da obra missionária entre os gentios. Neste capítulo, vemos a ação direta do Espírito Santo guiando a igreja em Antioquia no envio de Paulo e Barnabé para a missão.

1. A Igreja de Antioquia e a Direção do Espírito Santo (Atos 13:1-3)

A igreja em Antioquia era um centro de diversidade e liderança espiritual. O texto menciona profetas e mestres como Barnabé, Simeão (Níger), Lúcio de Cirene, Manaém e Saulo. Essa diversidade reflete a expansão do evangelho além das fronteiras judaicas.

  • A igreja jejuava e orava, demonstrando dependência de Deus.
  • O Espírito Santo escolhe e chama Barnabé e Saulo para a missão.
  • A imposição de mãos simboliza envio, autoridade e bênção espiritual.

A teologia da missão aqui é clara: não é a igreja que define seus missionários, mas o Espírito Santo quem os escolhe. A igreja, por sua vez, discerne e confirma esse chamado.

2. A Primeira Viagem Missionária e a Pregação aos Gentios (Atos 13:4-12)

Paulo e Barnabé viajam para Chipre e enfrentam oposição de Elimas, um mágico que tentava impedir o procônsul Sérgio Paulo de crer.

  • Paulo, cheio do Espírito Santo, repreende Elimas, que fica cego temporariamente.
  • O procônsul, ao testemunhar o poder de Deus, se converte.

Aqui, a teologia da guerra espiritual e do confronto entre a verdade do evangelho e as forças da oposição se manifesta. A missão apostólica não era apenas um esforço humano, mas uma luta contra resistências espirituais (Efésios 6:12).

3. O Sermão de Paulo em Antioquia da Pisídia (Atos 13:13-41)

Paulo prega na sinagoga e faz um sermão semelhante ao de Pedro e Estêvão (Atos 2 e 7), enfatizando:

  • A história da redenção – Desde Abraão até Davi, mostrando a fidelidade de Deus.
  • Jesus como o cumprimento das promessas messiânicas – Ele é o Salvador prometido.
  • A ressurreição como prova da identidade de Jesus – A vitória sobre a morte confirma sua autoridade.
  • A justificação pela fé – Paulo ensina que a salvação não vem pela Lei de Moisés, mas pela fé em Cristo (v. 39).

Este discurso introduz uma mudança fundamental na teologia cristã: a justificação não é pelas obras da Lei, mas pela fé em Jesus Cristo, um tema que Paulo desenvolverá em Romanos e Gálatas.

4. A Rejeição dos Judeus e a Aceitação dos Gentios (Atos 13:42-52)

A pregação de Paulo gera duas reações:

  • Os gentios recebem o evangelho com alegria e muitos creem.
  • Os judeus rejeitam e perseguem os apóstolos, com inveja da grande aceitação dos gentios.

Paulo então declara: "Era necessário que a palavra de Deus fosse pregada primeiro a vocês. Visto que a rejeitam e não se julgam dignos da vida eterna, voltamo-nos agora para os gentios" (Atos 13:46).

Essa afirmação marca um ponto de virada: o evangelho agora se expande intencionalmente aos gentios, cumprindo Isaías 49:6: "Eu o farei luz para os gentios, para que você leve a minha salvação até os confins da terra."

A rejeição dos judeus não frustra o plano de Deus, mas acelera a expansão da igreja entre as nações.

Lições Teológicas de Atos 13

  1. A missão da igreja é guiada pelo Espírito Santo – A obra missionária não é iniciativa humana, mas divina.
  2. O evangelho enfrenta oposição espiritual – Assim como Elimas resistiu à verdade, sempre haverá oposição à obra de Deus.
  3. A salvação vem pela fé em Cristo, não pela Lei – Esse é o cerne da pregação apostólica e um ponto fundamental da teologia cristã.
  4. O evangelho é para todas as nações – A rejeição dos judeus abre caminho para a expansão entre os gentios.
  5. A fidelidade na pregação gera perseguição – A aceitação dos gentios causou inveja e hostilidade entre os judeus religiosos.

Atos 13 mostra como Deus conduz sua igreja no cumprimento da Grande Comissão, rompendo barreiras e expandindo sua mensagem de salvação a todos os povos.

A Igreja Apostólica em Concílio - ATOS 13

1 - Na igreja que estava em Antioquia havia alguns profetas e doutores, a saber: Barnabé, e Simeão, chamado Níger, e Lúcio, cireneu, e Manaém, que fora criado com Herodes, o tetrarca, e Saulo. 

2 E, servindo eles ao Senhor e jejuando, disse o Espírito Santo: Apartai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado. 

3 Então, jejuando, e orando, e pondo sobre eles as mãos, os despediram. 

4 E assim estes, enviados pelo Espírito Santo, desceram a Selêucia e dali navegaram para Chipre. 

5 E, chegados a Salamina, anunciavam a palavra de Deus nas sinagogas dos judeus; e tinham também a João como cooperador. 

6,7 - E, havendo atravessado a ilha até Pafos, acharam um certo judeu, mágico, falso profeta, chamado Barjesus, o qual estava com o procônsul Sérgio Paulo, varão prudente. Este, chamando a si Barnabé e Saulo, procurava muito ouvir a palavra de Deus. 

8 Mas resistia-lhes Elimas, o encantador (porque assim se interpreta o seu nome), procurando apartar da fé o procônsul. 

9,10 -Todavia, Saulo, que também se chama Paulo, cheio do Espírito Santo e fixando os olhos nele, disse: Ó filho do diabo, cheio de todo o engano e de toda a malícia, inimigo de toda a justiça, não cessarás de perturbar os retos caminhos do Senhor? 

11 Eis aí, pois, agora, contra ti a mão do Senhor, e ficarás cego, sem ver o sol por algum tempo. No mesmo instante, a escuridão e as trevas caíram sobre ele, e, andando à roda, buscava a quem o guiasse pela mão. 

12 Então, o procônsul, vendo o que havia acontecido, creu, maravilhado da doutrina do Senhor.

13 E, partindo de Pafos, Paulo e os que estavam com ele chegaram a Perge, da Panfília. Mas João, apartando-se deles, voltou para Jerusalém. 

14 E eles, saindo de Perge, chegaram a Antioquia da Pisídia e, entrando na sinagoga, num dia de sábado, assentaram-se. 

15 E, depois da lição da Lei e dos Profetas, lhes mandaram dizer os principais da sinagoga: Varões irmãos, se tendes alguma palavra de consolação para o povo, falai.

16 E, levantando-se Paulo e pedindo silêncio com a mão, disse: Varões israelitas e os que temeis a Deus, ouvi: 

17,18 - O Deus deste povo de Israel escolheu a nossos pais e exaltou o povo, sendo eles estrangeiros na terra do Egito; e com braço poderoso o tirou dela; e suportou os seus costumes no deserto por espaço de quase quarenta anos. 

19 E, destruindo a sete nações na terra de Canaã, deu-lhes por sorte a terra deles. 

20 E, depois disto, por quase quatrocentos e cinquenta anos, lhes deu juízes, até ao profeta Samuel. 

21 E, depois, pediram um rei, e Deus lhes deu, por quarenta anos, a Saul, filho de Quis, varão da tribo de Benjamim. 

22 E, quando este foi retirado, lhes levantou como rei a Davi, ao qual também deu testemunho e disse: Achei a Davi, filho de Jessé, varão conforme o meu coração, que executará toda a minha vontade. 

23,24 - Da descendência deste, conforme a promessa, levantou Deus a Jesus para Salvador de Israel, 24 tendo primeiramente João, antes da vinda dele, pregado a todo o povo de Israel o batismo do arrependimento. 

25 Mas João, quando completava a carreira, disse: Quem pensais vós que eu sou? Eu não sou o Cristo; mas eis que após mim vem aquele a quem não sou digno de desatar as sandálias dos pés.

26 Varões irmãos, filhos da geração de Abraão, e os que dentre vós temem a Deus, a vós vos é enviada a palavra desta salvação. 

27 Por não terem conhecido a este, os que habitavam em Jerusalém e os seus príncipes, condenaram-no, cumprindo assim as vozes dos profetas que se leem todos os sábados. 

28 E, embora não achassem alguma causa de morte, pediram a Pilatos que ele fosse morto. 

29 E, havendo eles cumprido todas as coisas que dele estavam escritas, tirando-o do madeiro, o puseram na sepultura. 

30 Mas Deus o ressuscitou dos mortos.

A Mensagem principal deste capítulo parece ser que há ocasiões em que uma igreja local pode, com proveito, consultar crentes mais instruidos.

Podemos pensar no tipo de divergência que às vezes perturba uma igreja local: questões sobre ritos (como aqui), questões sobre doutrina, questões sobre pessoas. Deve-mos notar que onde há amor fraternal, paciência e longanimi-dade, as divergências podem resultar em lucro espiritual -como em nosso capítulo.

Podemos considerar:

1. A questão cra referente a um rito: circuncisão, mas com certos compromissos inerentes sujeição à lei cerimonial mo-saica, que Pedro chamou um jugo insuportável (v. 10).

Notemos:

a) Que é muito freqüente as pessoas entusiasmarem-se por um rito (uma prática religiosa), e serem exigentes que esse rito seja observado da maneira que eles mesmos o praticam.

b) Que nenhum rito em si tem valor espiritual. O valor está no seu significado.

c) Que, embora hoje em dia os crentes não contendam sobre a circuncisão, é fácil haver divergências sobre os dois ritos do cristianismo: batismo e a ceia do Senhor.

d) Que onde reina o amor fraternal qualquer divergência não resultará em contenda.

e) Que a discussão sobre divergência tende a se acabar quando os servos de Deus começam a relatar quão grandes sinais e pro-digios Deus havia feito por meio deles (v. 12).

2. O procedimento era uma reunião especial dos apóstolos e anciãos para examinarem este negócios. Disso aprendemos:

a) O dever dos mais instruídos e responsáveis de agir em eliminar motivos de contenda e raízes de amargura.

b) Que os novatos não precisam ocupar-se com questões problemáticas.

c) Que mesmo na discussão dos negócios da igreja, convém recordar como Deus tem procedido e, provavelmente, procede-rá. Pedro frisou os seguintes fatos: 

1) que Deus o elegera para evangelizar os gentios; 

2) que Deus conhece os corações dos gentios e dá testemunho da piedade deles, no caso de alguém como Cornélio; 

3) que Deus tem dado o Espírito Santo aos gentios; 

4) que Deus não fez diferença, mas purificou igual-mente os corações dos gentios; 

5) que Deus salva gentios.

3. O resultado da consulta foi uma mensagem escrita, não apenas dos apóstolos mas de toda a igreja (v. 22), apontando as proibições do Velho Testamento que gentios crentes deviam observar nos tempos do Novo Testamento.

Notemos que, das quatro proibições do v. 29, três se referem ao comer.

Vemos que a carta, sendo lida em Antioquia, causou alegria e consolação (v. 31).

Conclusão. Algum cristão na igreja atual é legalista? Ocupa-se demais com qualquer rito? Compreende bem o valor da conferência entre os crentes da igreja local?


Veja os Comentários Teológicos e os Vídeos sobre cada Tema abordado nos Links abaixo.

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